Uma competição acirrada que terminou com dança e união: a 1ª Copa Mundial de Basquete 3×3 Unificado 

Um artigo sobre a primeira edição do evento com a participação do Brasil, a diplomacia entre os países e a experiência do esporte unificado: a magia ressurgiu em Porto Rico, desta vez, na modalidade de basquete 3x3.
Delegação brasileira posa com a Presidenta das Olimpíadas Especiais da América Latina (SOLA), Claudia Echeverry, após Cerimônia de Premiação. Da esquerda para a direita: Rafael Ribeiro (técnico-chefe), Bruno L. Gil, Jorge Adriano, Presidenta Claudia, Alberto Soares, Gabriel Gama, Kaio Vinícius e Lincoln Fiuza (técnico-assistente). Foto: Reprodução/SOI.
Delegação brasileira posa com a Presidenta das Olimpíadas Especiais da América Latina (SOLA), Claudia Echeverry, após Cerimônia de Premiação. Da esquerda para a direita: Rafael Ribeiro (técnico-chefe), Bruno L. Gil, Jorge Adriano, Presidenta Claudia, Alberto Soares, Gabriel Gama, Kaio Vinícius e Lincoln Fiuza (técnico-assistente). Foto: Reprodução/SOI.

Competição, união e entrega. Estas palavras definem a participação do Brasil na 1ª Copa Mundial de Basquete 3×3 Unificado das Olimpíadas Especiais Internacional, realizada em San Juan, capital de Porto Rico, no Distrito T-Mobile. Com a presença de 38 equipes, o evento emocionou toda comunidade envolvida nos Jogos, de voluntários a porto-riquenhos. 

OS JOGOS E A ENTREGA DO BRASIL 

A delegação brasileira esteve no país da América Central entre os dias 03 e 08/12. Os atletas chegaram no dia 03 e se instalaram no hotel definido pelo Comitê Organizador. No dia 04, logo pela manhã, eles tiveram 15 minutos para treinar na quadra em que jogariam nos próximos dias. O treino compôs a parte tática e técnica, além de conselhos e orientações dos treinadores, os professores Rafael Ribeiro e Lincoln Fiuza. 

À noite, aconteceu a Cerimônia de Abertura da Copa Mundial, onde todas as delegações se uniram, desfilaram em quadra e assistiram às falas de algumas autoridades presentes, como a CEO da Special Olympics International (SOI), Mary Davis. Depois da abertura, países do mundo todo ocuparam o espaço da quadra do Distrito T-Mobile — sede oficial dos Jogos — para dançar e confraternizar. 

O Brasil foi classificado para jogar, inicialmente, na chamada “fase de grupos”, onde a Special Olympics International reuniu países com qualidades semelhantes, para que todos tivessem a oportunidade de jogar de forma justa. Na classificação, além das OEB, o grupo C foi formado por Jordânia, Burkina Faso e Paraguai. Nesta fase, os 4 países se enfrentam para decidir quem vai às semifinais e, se houver vitória, também à grande final. 

O time tinha um jogo marcado para dia 05/12, sexta-feira, às 10h20, contra o Burkina Faso, país da África Ocidental. Entretanto, em virtude da delegação não ter comparecido a Porto Rico, foi declarada vitória por W.O. a todo o grupo C. A primeira partida oficial do time brasileiro aconteceu no mesmo dia, às 17h, contra a Jordânia. Em um jogo tranquilo para o Brasil, a equipe venceu por 21 × 7. 

Após a etapa em grupo, agora, as delegações que passaram teriam de enfrentar as semifinais. O verde-amarelo entrega um jogo acirrado contra o Paraguai no sábado, dia 06/12, às 10h20. Após um forte entrave, o Paraguai pega um rebote e cesta: 11 × 10, com o cronômetro marcando 1.0 segundo para o juiz apitar encerrando o jogo. 

Mesmo com a derrota na fase de grupos, a equipe tinha a semifinal para jogar no mesmo dia. Após o almoço, a delegação ficou sabendo que enfrentaria a Itália nesta primeira parte. Em outra partida intensa, jogando com o coração até o último segundo, o time da Itália venceu por 11 × 7. Os ânimos precisavam se conter no sábado para que, no domingo, as OEB entregassem tudo na disputa pelo bronze. 

Assim aconteceu no dia 07/12, às 15h50. Mais uma vez, depois da refeição ao meio-dia, a equipe brasileira descobre que jogaria contra o Canadá. Desde então, nossos jogadores sabiam que a tarefa não seria fácil: a posse de bola, a marcação e o entrosamento do adversário eram fortes e deviam ser considerados. 

Mais um embate que fazia a emoção falar mais alto e confrontar com a razão. O Canadá ganha por 7 × 4, e o time voltaria para casa. Até a última pisada em quadra, naquele acalorado jogo, o Brasil estava em clima tenso: eles se prepararam, se dedicaram e o resultado era este. Agora, mais que tudo, a saída era trabalhar a aceitação e o orgulho, já que trouxeram para casa a 7ª colocação na tabela geral, e 4ª na divisão 2. No final, todos os jogadores entenderam que representaram nosso país com maestria. 

A COPA PARA ALÉM DOS JOGOS 

Ser Brasil em um encontro com países de todo o planeta é ser visto com afeto, respeito e atenção. Para além dos jogos, nos bastidores, o Brasil é amado e respeitado entre todos os integrantes. O time chegou a Porto Rico esperando fazer seu melhor, e receberam muito mais que isso: o carinho da América — em maior parte, a Latina —, da África, do Oriente Médio, da Ásia. 

Entrando na perspectiva estrutural do evento, não há como não reparar: o atleta com deficiência intelectual se sente participando de uma Copa do Mundo de verdade. Assim como a que ele vê pela televisão a cada quatro anos, a Special Olympics International conseguiu proporcionar um ambiente onde seus jogadores se viram como profissionais — mesmo que alguns não sejam (ainda). Desde as acomodações até o espaço pós-jogo, é notório que tudo foi milimetricamente arquitetado para receber o mundo em San Juan. 

A alimentação precisa ser destaque: preparada pensando no bem-estar dos atletas, as refeições tinham pratos com bons valores nutricionais. Mesclando a cultura local de Porto Rico e uma dieta equilibrada, a comida era bem temperada e condimentada. 

Na alma do evento, entre partidas e torcidas, a diplomacia acontecia. O Brasil conversava com Taiwan, mesmo com línguas, símbolos, gestos e uma cultura completamente diferentes. Não havia grandes barreiras comunicacionais, já que a tecnologia e a ciência evoluíram a ponto de ser possível conversar com pessoas de outros países, ainda que sem conhecer a fundo suas línguas. Os atletas do Chile, Paraguai, Angola, República Dominicana e Canadá merecem destaque por seu respeito, carinho e consideração com o time verde-amarelo. A estes times, em especial, agradecemos pela troca extremamente válida e repleta de significados. 

Em resumo, o Brasil entregou tudo o que captou nos treinos na Copa Mundial de Basquete 3×3 Unificado da Special Olympics International. Talvez o maior símbolo de inclusão a ser identificado na quadra montada dentro do Distrito T-Mobile era ver a união de todos os atletas, sejam estes regulares ou parceiros, comemorando a finalização e o resultado. Não importava, naquele momento, se um país estava em 1°, 7°, 15° ou em 20° lugar. O que realmente importava era a festa pela inclusão, pelo encerramento, e pelo belo trabalho feito até ali. 

A Special Olympics International fez Porto Rico vivenciar a grandeza deste movimento, a força e o comprometimento dos atletas, e a história da inclusão sendo escrita. 

ESPAÇO PARA AGRADECIMENTOS ÀS PARCERIAS E APOIOS 

Durante todo evento, o time do Brasil vestiu adidas: desde a ida, com o conjunto oficial, até os uniformes usados em jogo e o look para passeio. Com muito orgulho, o Brasil foi e voltou de San Juan usando o melhor da malharia. À adidas, nosso mais profundo agradecimento pelo apoio e parceria. 

Ressaltamos também a parceria e apoio da SouzaOkawa Advogados, que incentivou a ida dos atletas. A eles, nosso muito obrigado. 

#VaiBrasil

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